Água na nossa mão

Fev 6, 2018 | Aprenda, Blogue

Apesar de a agricultura nacional apresentar melhores resultados económicos em 2017, face ao ano anterior, a falta de água assola o território algo que se acentuou mais no início do verão passado, mas que já se vinha a sentir em anos interiores que a quantidade de precipitação não era suficiente.

Chegados ao novo ano e com o inverno meio corrido, a situação prevalece e a falta de água alterou já toda a vida agrícola, desde o calendário das sementeiras, ao desenvolvimento das culturas, passando pela escassez de pastagens vitais à pecuária, reflectindo um efeito dominó dramático. Em 2018, prevê-se a descida da produção, e o Governo prepara o maior apoio possível, através da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, que delineou várias medidas a aplicar nos campos e nas áreas urbanas. A seca é severa em todo o interior do País e extrema no Alentejo, região onde se estima a redução das áreas de cereais, tanto pela dificuldade de execução dos trabalhos, como pelo risco de cultivar num quadro cujos índices de água no solo são nulos ou próximos do ponto de emurchecimento.

Continuamos perante a urgência em racionalizar o uso da água, poupando-a ao máximo e respeitando as medidas do Relatório de Monitorização da Seca.

Para a redução dos consumos urbanos e domésticos já há regras como:

– diminuir regas de jardins e hortas, e praticá-las em horários apropriados;
– optar por regas de sobrevivência nas zonas verdes;
– proibir enchimentos de piscinas, lavagens de viaturas e logradouros;
– Encerrar fontes decorativas. Não sei se estas medidas já foram aplicadas a todas as regiões, mas deviam.

No nosso dia a dia e nas nossas casas também há forma de todos podemos ajudar, tais como:

– Não tomar banho de banheira optar antes por duches mais rápidos;
– redução do caudal das torneiras e da capacidade dos autoclismos;
– aproveitamento de águas para outros fins, como por exemplo, reutilizar a água de lavar legumes ou de cozeduras, para regar plantas ou dar de beber aos animais;
– criar cisternas próprias (reservatórios de águas pluviais ou outras) não é regredir, é recorrer a um sistema remoto mas inteligente, e de fácil execução, como demonstram tantos sites na internet.

No meio rural e agrícola, é altura de se começar a tomar medidas já para o verão que vem aí! É obrigatório prevenir do alto risco de incêndios, temos que nos lembrar que as barragens e albufeiras estão com pouca água, e que não vai haver água para combater os fogos. É preciso agir já!

Por isso, a limpeza de matos é essencial, em redor das casas, nos caminhos e na floresta, desbastar áreas de pinheiros bravos e eucaliptais, e sobretudo criar corredores de segurança nestas áreas, algo que por exemplo não se vê nas grandes áreas de pinheiro bravo que existem aqui em Marvão. Claro a reposição de arvoredo perdido, é sempre bem vinda.

A par disso, toda a captação de água será alvo de restrições e maior fiscalização, seja nas albufeiras públicas ou em poços e furos, feitos à margem da lei. Por isso apesar do país estar cheio de cartazes com anúncios de captação de água e furos é melhor ter isto em consideração e tirar a respectiva licença. Quanto ao habitual uso das albufeiras públicas para o gado beber, directamente nas margens foi proibido, para evitar a degradação da qualidade da água.

As medidas deste plano de prevenção estão em vigor e faz parte das funções da Comissão de Acompanhamento da Seca implementá-las e verificar o seu cumprimento. Como cidadãos das regiões mais afectadas pela seca e pelos fogos, cabe-nos estar a par, colaborar para que sejam seguidas por todos e fazer a sua divulgação, bem como pedir ajuda ao próprio Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral, se necessário for, através do Tel.: 21 323 46 00 ou em gpp.pt.

Por mais pequena que a nossa contribuição pareça, juntos fazemos a diferença na luta para abrandar um problema que pelos vistos vai perdurar, porque a escassez de água está a aumentar no nosso magnifico Planeta. Vamos a isso!

Saiba mais
www.gpp.pt/index.php/monitorizacao-da-seca/impacto-da-seca
www.gpp.pt/images/Agricultura/Seca/Relatorio_Monitorizaco_-30-novembro_2017.pdf
www.agroges.pt/em-2017-os-resultados-economicos-da-agricultura-portuguesa-melhoraram-significativamente-em-relacao-a-2016-francisco-avillez/

Outros efeitos
observador.pt/2018/01/07/fogos-e-seca-fazem-disparar-emissoes-de-co2-para-recorde-da-decada/